Laranjeiro

Antigo lugar do termo e Freguesia de Almada, a povoação de Laranjeiro é hoje, uma das onze freguesias do Concelho de Almada.

Nos seus primórdios, era conhecido como local de passagem, ligando o sul do concelho a Cacilhas e à Vila de Almada, através da estrada que passando pelas Barrocas e Cova da Piedade conduzia à Mutela.Tratava-se de um amplo espaço rural onde pontificavam várias quintas, com as respectivas casas senhoriais, entre as quais a da Quinta dos Espadeiros, designação apontada por alguns historiadores locais, por força de nela haver permanecido, em finais do século VII, um foreiro da Albergaria de S. Lázaro, de nome Manuel Ribeiro, fabricante de espadas; a da Quinta de Santa Ana, edifício do mesmo século, propriedade do marquês de Sabugos, mas aforada a Agostinho de Rosales Santana; a da Quinta do Secretário, edifício do século XVIII, cujo nome lhe advém do seu proprietário, D. Gil Enes da Costa, ser ao tempo, Secretário de Estado; e a Quinta de Santo Amaro, um edifício do Século XIX, onde a Câmara Municipal instalou um centro de actividades culturais e em torno da qual se aponta ter nascido o topónimo de Laranjeiro.

Tal origem, não é, no entanto, pacífica, uma vez que há quem defenda a tese, segundo a qual, atribui o seu aparecimento à alcunha porque era conhecido o habitante de Cacilhas, José Rodrigues ( O Laranjeiro), proprietário da última das referidas Quintas situada naquele perímetro, generalizando assim o aludido topónimo entre as gentes da época.

Além das referidas casas, sublinhe-se a existência do Paço Real do Alfeite, um pequeno palácio do século XV, que foi residência do infante D. Francisco, mais tarde utilizado como pavilhão de caça. Esse imóvel, pertencente hoje à Base Naval de Lisboa, situava-se na antiga Quinta do Antelmo, devido à sua aquisição pelo infante ao desembargador António de Maia Aranha, após o que passou a casa do Infantado. Toda esta vasta franja territorial, que vai do Caramujo à foz do Rio Judeu, é pertença do Alfeite, propriedade da Ordem de Santiago, por doação de D, Sancho I, em consequência da doação de Almada à referida Ordem militar, em 1186. Voltou à posse da corôa com D. Dinis, em 1298. A partir de então, passou a pertencer ao dote das rainhas e D. Leonor Teles doou ou vendeu-o ao judeu David Negro.

Com a conquista da independência, D. João I incluiu na doação a Nuno Álvares Pereira, que, por sua vez, o doou à Ordem do Carmo ficando, pouco a pouco, alienado em fracções.

Entretanto, em 1641, D. João IV confiscou a fracção pertencente ao duque de Caminha e em 1654, cria a Casa do Infantado, doando-a ao Infante D. Pedro. Até 1834, data da extinção daquela casa, os diversos monarcas foram adquirindo as várias fracções e concentrando-as naquele património. De tal sorte, que o Alfeite chegou a compreender ainda as Quintas da Penha, da Piedade, do Outeiro, da Romeira, do Antelmo e da Bomba. Nele estavam ainda incluídos, os pinhais de Corroios e do Cabral e na margem esquerda do rio Judeu, os moinhos do Galvão, da Passagem, do Capitão e da Torre, hoje território do concelho do Seixal.

Elevada à categoria de Freguesia em 4 de Outubro de 1985, em consequência da aprovação, por parte da Assembleia da República do Decreto-Lei 126/85, o território da Freguesia de Laranjeiro, constituí hoje um espaço urbano, o qual, conjuntamente com o das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Cacilhas, Feijó e Pragal, constituem a actual Cidade de Almada.

Com uma área de 400 ha fica situada a nascente do Concelho e confronta a Sul com a freguesia de Corroios (concelho do Seixal), a norte com a freguesia da Cova da Piedade, a Poente com a freguesia de Feijó e a nascente com o mar da Palha, abrangendo toda a área actualmente ocupada pela Base Naval de Lisboa – no Alfeite.

Feijó

Antigo lugar do termo e Freguesia de Almada, a povoação de Feijó é a mais jovem das onze freguesias que actualmente constituem o Concelho de Almada, mas cuja história remonta ao século XVII sendo, nessa época, caracterizada pela sua intensa exploração rural, devido à provável influência muçulmana, a qual, de acordo com os indícios existentes em alguns dos seus lugares, designadamente, em Algazarra, terá estado na origem desses mesmos locais.

Nos primórdios da sua existência, o lugar de Feijó, situava-se na zona da Rua Pêro da Covilhã, aparecendo, segundo documento datado de 1813, como uma simples quinta, apesar de no século XVI já aqui existirem diversas quintas e propriedades de gente ilustre, nomeadamente do Conde de Monsanto, Manuel Sousa Coutinho e os condes de Aveiras, cenário que se manteve até meados do Século XX, época em que se verificou a expansão da povoação, em consequência da forte pressão demográfica que o concelho sofreu, por via do processo de industrialização que se operou nesta zona do país e da subsequente construção da ponte sobre o Rio Tejo.

Integrando, ao tempo, o território da Freguesia da Cova da Piedade, da qual deixou de fazer parte por via da criação da nova Freguesia de Laranjeiro, na qual se manteve até 27 de Maio de 1993, data em que, por deliberação unânime dos deputados que constituíam as diferentes forças políticas então representadas na Assembleia da República, foi tomada a decisão de lhe conferir autonomia administrativa elevando-a à categoria de Freguesia.

Tal decisão, fundada numa série de iniciativas parlamentares, a primeira das quais levada a cabo em 1985 pelo Partido Comunista Português, para além de reconhecer que a nova Freguesia preenchia, inteiramente, os pressupostos exigidos pela lei, em matéria de criação de novas autarquias, consagrava ainda uma das mais profundas e legitimas aspirações de quantos viviam nesta promissora terra.

Com efeito, o acentuado desenvolvimento demográfico e económico que registava, a par de reclamar a existência de uma Junta de Freguesia, entidade que por força das suas atribuições e competências, acompanhasse esse complexo processo, colocava ainda constantes problemas à autarquia de Laranjeiro, que se via em grandes dificuldades para dar resposta às situações que diariamente se levantavam, ante a vasta área territorial que lhe estava afecta e as permanentes mudanças que, em todos os domínios, nele se operavam.

Nesta conformidade, a deliberação tomada por aquele órgão de soberania, a par de corresponder às expectativas da população, permitiu solucionar uma necessidade à muito sentida por todos os agentes locais, concorrendo simultaneamente para reforçar os laços identitários que caracterizam os habitantes da localidade.

Terra de fortes tradições associativas, a Freguesia de Feijó possui seis colectividades e associações que desenvolvem uma regular actividade visando a promoção do desporto e da cultura junto de todos quantos aqui residem, movimentando mais de um milhar de praticantes, na sua maioria jovens.

Além disso, a circunstância de possuir um parque industrial no qual apenas foi autorizada a instalação de um conjunto de unidades não poluentes é outro dos atractivos de que se reveste, esta populosa Freguesia do Concelho, situação que adquire ainda maior significado já que se trata de um território atravessado pela Auto-Estrada do Sul, assim como pela via alternativa à Estrada Nacional Nº. 10, obra esta levada a cabo sob responsabilidade da Câmara Municipal de Almada.

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